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Da deficiência

Há dias chamou-me atenção a notícia amplamente divulgada no Facebook sobre o campeonato mundial de Atletismo de Síndrome de Down. A equipa portuguesa foi a vencedora e no post o autor queixava-se que a notícia não seria divulgada nos media.O post atraíu a minha atenção não pela queixa mas pelo facto do dito autor do texto não ter fornecido mais informações sobre o nome do vencedor, biografia ou detalhes da prova.


Um outro post no facebook semanas antes atraíu também a minha atenção: desta vez por causa da reivindicação social de outro atleta português paralímpico que tinha parado de receber subsídio social do estado português sem razão aparente. A acompanhar o post o atleta diz: "Eu, David Grachat, portador de deficiência física - mal formação congénita (amputado da mão esquerda), encontro-me há mais de 1 ano e 6 meses numa luta com o Serviço Português da Segurança Social, serviço esse que me retirou os meus direitos enquanto cidadão com deficiência."Na foto o atleta pede que descubram a diferença entre a uma foto sua tirada em em 2000 e outra de 2011, fazendo as pessoas constantar que continua na mesma situação.


Mas nem sempre os deficientes são neglicenciados isto porque associacões como a CLAP (centro local de Animação e Promoção Rural em Amarante) deu apoio social durante alguns meses em 1999 e 2000  incluindo deficientes físicos e mentais, apoio que surtiu efeitos: " Desde que o meu irmão começou a ter acesso a este apoio social, evoluíu muito, nós estavamos até confiantes que seria capaz de ser totalmente autónomo" explicou Helder Peixoto, a respeito da grande evolução e progresso do irmão com 50 anos, que depois de ter sofrido um ataque de meningite na infância viria a sofrer de deficiências mentais para o resto da vida.
  Mas o caso do irmão do Hélder Peixoto é exepção porque a verdade é que quase todos os assuntos relacionados a deficientes físicos ou mentais são em Portugal um gigante tabu e muitos destes deficientes vivem nas condições mais estremas de sofrimento e de isolamento, muitas vezes encerradas pelos próprios familiares em casa, como se a sua realidade tivesse de ser encarcerada e serem para sempre confinados à sombra. Mas a questão do "vamos esconder o deficiente" começa agora num mundo globalizdo a ganhar outros contornos e muitos começam a reivindicar direitos incómodos a uma sociedade que exige a perfeição fisica e mental. Na Holanda por exemplo existe  um grupo de assistentes sociais chamado de " Masturbatie team" estas mulheres prestam serviços masturbatórios a homens e mulheres deficientes sendo que um dos temas largamente discutidos tem sido o direito ao sexo com ou sem deficiência: http://www.filamentmagazine.com/2011/09/helping-disabled-people-meet-their-emotional-and-sexual-needs//
 A mesma reinvindicação foi feita em Inglaterra onde um homem de 21 anos portador de deficiência física reinvindicou o direito de ter sexo como qualquer outro ser humano e acabou por conseguir que o estado lhe reconhecesse o direito e fosse criado um fundo que financia sex holydays (férias com sexo). O pedido haveria de ser ouvido e o estado inglês acabou mesmo por criar programas destinados aos cidadãos ingleses com deficiência para que pudessem não só ir de férias para outro país como usufruir do direito ao sexo (ver em: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1303273/Councils-pay-disabled-visit-prostitutes-lap-dancing-clubs.html).
 Um filme polémico tem também chamado atenção de milhares de pessoas para este problema social:  "Hasta la vista", um filme de um grupo de jovens portadores de deficiências que fazem uma viagem a Espanha à procura de sexo, ver em: http://www.youtube.com/watch?v=EfrQRas7gPw 
 A pergunta que fica é: Até quando as sociedades, os estados, os governos, as pessoas vão fingir que os deficientes não existem e que todos somos perfeitos, felizes e vivemos afinal num conto de fadas?

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