domingo, 24 de novembro de 2013

Rui de Paula: sinónimo de comida portuguesa de luxo


       O cozinheiro Rui de Paula, do Porto é um fenómeno mundial e  local de sucesso. Em Portugal tem dois  restaurantes de renome o primeiro entre a Folgosa e o Pinhão no rio Douro  o Doc,  e  segundo, o Dop no Porto  que fica localizado no Palácio das Artes na Fábrica de Talentos mais precisamente no Largo de S. Domingos.

 Em Setembro esteve na Suíça e foi motivo  de orgulho e admiração pelos portugueses que trabalham na cozinha  e de surpresa  pelos suíços. Falei com o chefe de cozinha Carlos Manuel Gonçalves que trabalha  há 21 anos como cozinheiro  e que tem como fundo de especialização gastronómica  a cozinha italiana e suíça.

  Carlos Gonçalves explicou que Rui de Paula esteve a trabalhar no workshop do restaurante de 14 a 21 de Setembro e esteve a explicar como confeccionar os pratos que ele criou sempre com um fundo tradicional apesar de serem inovativos.
 
    O chefe do restaurante Santa Lucia Teatro em Zurique, na Suíça afirmou que o que mais o surpreendeu foi o facto de ele ser capaz de criar uma cozinha mais refinada, com muito menos gordura sem nunca perder o sabor natural dos produtos.   
                                                                                                     
 
 
 
  O efeito do insígne visitante no restaurante criou uma onda de motivação e inspiração para os portugueses que passam a vida entre panelas e menus: "o tipo de cozinha que ele faz é uma nouvelle cousine tem muito mais estilo e apesar de ser português nunca tinha  visto comida portuguesa ser feita desta forma"  conta Carlos Gonçalves. Este experiente cozinheiro mencionou ainda que o profissionalismo do Rui de Paula deveria também servir de inspiração para os mais jovens apostarem na profissionalização da comida portuguesa, especialmente as mulheres.
" Existem poucas mulheres chefes no mundo. As mulheres portuguesas deviam apostar nesta área.
Fiquei surpreendido também pelo trabalho feito a nível da pastelaria por uma assistente deste cozinheiro, a Mafalda apreendeu rapidamente o conceito da cozinha do Rui e era capaz de executar com perfeição muitas receitas."
 
  No decorrer do workshop o cozinheiro Rui de Paula criou nos que estiveram a assistir ao Workshop uma necessidade de inovar e de tentar coisas novas ainda que numa cozinha tão tradicional como a portuguesa e de todos os pratos apresentados causou sensação o prato " o nosso arroz" não só pela excelente explicação sobre o tipos de arroz mas como pelo o sabor e forma de confeccionamento: este prato só podia ser feito com arroz malandro e depois preparou um caldo com camarão, peixes, lulas como eu nunca tinha visto. O peixe que acompanhava este arroz foi servido de forma completamente diferente."
   Nas sobremesas ficaram na memória os pratos com inspiração no vinho do Porto.
 
Rui de Paula ganhou diversos prémios internacionais de gastronomia a nível mundial, viajou para a Inglaterra, Rússia e o seu nome dará  origem a um restaurante no Brasil em Recife. O investidor João Carlos Paes Mendonça comprou o conceito da sua cozinha e será aberto um restaurante com todos os pratos criados por este cozinho português. No Porto o restaurante faz furor há muito e são jogadores de futebol e as classes mais abastadas os seus clientes habituais em Recife o sucesso deve ser outra vez o fado da comida deste cozinheiro.
   Para mais informações sobre os restaurantes, a serviço de catering, reservas visite a página:

Restaurante Rui de Paula, no Recife, Brasil

 

domingo, 14 de julho de 2013

Nacionalismos...

Hoje penso na azinheira onde está Saramago e penso que um dia quase o conheci. Desde que morreu sinto a vida dessa azinheira e penso nela, penso que o vento que eu respiro pode chegar a essa azinheira e tocar as folhas dessa árvore.
   São estas agruras que para os outros podem parecer infundadas que me submergem num nacionalismo por vezes taciturno e exacerbado. Mas a minha dor pertence também aqueles que ainda não são vento, nem árvore, mas que me escapam num folhear de livros e de movimento espacial.    Quando era estudante esquecia os assuntos escolares e mergulhava nos textos do António Lobo Antunes, e ouvia constantemente alguém dizer: 
   - Mas vais de deixar de ler o que esse gajo velho escreve ou quê?! Não me dás atenção e não vês que estou aqui!
Siza Vieira, no Stuk, Lovaina na Bélgica.
  Sempre pensei que seria assim por gostar de literatura e por gostar de ler. Mas esse era só um fator da natureza de uma outra realidade oculta. Viria a descobrir anos mais tarde durante uma apresentação do Siza Vieira em 2007 na cidade de Lovaina que o meu entusiasmo por ver o homem que concebeu o Pavilhão de Portugal raiava quase o histerismo.
As mãos de Siza Vieira, 2007.

Tirei fotos dele, fiz muitas perguntas e tirei fotografias das mãos do Siza vieira, e ficava a olhar para as fotografias das mãos do Siza Vieira e recordava com satifação as expressões dos estudantes belgas quando ele num inglês deficitário mas compreensível explicava que lhe bastava olhar para um lugar e imaginar mentalmente o edificio, fazer esquemas e fazer desenhos...Os estudantes habituados a uma metadologia de rigor aritmética por vezes não conseguiam conceber ou aceitar essa liberdade mental criativa...e eu estava no auditório inchava de orgulho como um pavão invisível prestes a rebentar.
     Outra vez e enquanto caminhava na praça Flagey em Bruxelas e enquanto observava os óculos enigmáticos da estátua em pedra do Fernando Pessoa li a frase : A minha pátria é a língua portuguesa. E fiquei a pensar naquilo, fiquei a pensar naquilo durante muito tempo. Porque para onde quer que eu vá eu falo comigo sempre em português, sonho em português, insulto em português e durante todo este tempo estive sempre em casa e estarei sempre. Filosofias e literaturas à parte, aceitei essa versão temporariamente e pensei que fosse mais um elemento da população que em vez de adorar o Cristiano Ronaldo e de comprar tshirts ou camisolas com a cara dele como fazem os outros emigrantes, eu faça exactamente a mesma coisa de outra forma: estou com a mente fixa no Saramago, no António Lobo Antunes, no Siza Vieira, compro os livros deles ou os livros que falam sobre eles...
    Mas a minha maior fixação nacionalista é sem dúvida conhecer o Manoel de Oliveira... sonho que vou fazer um casting para ser uma atriz e o poder conhecer...Fantasio que ele obviamente descobre o meu disfarce, me chama quantos nomes pode do alto dos seus 105 anos e nesse momento de fúria talvez eu ouça finalmente  aquele lado do Porto que eu amo e que me faz perder senso de realidade... 
   Um dia acusaram-me de ser uma nacionalista fascista. E eu achei um absurdo. Mas depois disseram-me: - Um dia se me quiser vingar de ti, sei o que fazer...Queimo-te os livros do Saramago e do Pessoa.-E aquela frase foi como um lume corrosivo, e só essa ideia me fez arder de raiva..e um estranho desejo sanguinário subiu pelas veias laterais da minha cabeça até ao cérebro. Passada a fúria fui obrigada a aceitar que sou uma nacionalista ferrada e ponto final.

terça-feira, 9 de abril de 2013

Portugal, Porto calem ou laranja

Laranja. Laranja. Laranja. Esta é a tradução fonética da palavra Portugal em alguns países do médio oriente e até em alguns dialectos mediterrânicos.Esta descoberta que fiz acidentalmente devido a uma piada de uma mulher do Irão fez-me ir rever os meus conhecimentos de história e viajar/ descobrir as fascinantes trocas comerciais do mediterrâneo e chegar à conclusão que até hoje muitos mistérios históricos e factos que aconteceram entre árabes e portugueses ficaram na sombra do passado à espera de um momento para ver a luz.
   - Não consigo controlar o riso quando me perguntam de onde vem. Digo sempre que vem de Portugal mas sempre que falo em árabe imagino-a a viver numa laranja gigante.
     Perguntei à mulher exactamente o que queria dizer e entendi que a palavra laranja na sua língua materna era Portugal. Na altura achei curioso mas pensei que se tratasse de uma coincidência fonética, uma vez que durante anos sempre me ensinaram na escola que a palavra Portugal derivava de Porto calem por analogia ou referência à cidade do Porto.
    Anos passados quando uma vez discutia entre amigos de outras nacionalidades as palavras ou as expressões que tem sentidos diversos e contraditórios ou cómicos em outras línguas relembrei a mulher iraniana e a sua piada  e contei-lhes a história. A reacção de muitos deles foi diferente do que esperava: Um amigo meu marroquino disse-me que sim que não era invulgar chamar à Laranja البرتغال, outra amiga da Síria diz-me o mesmo e entre eles um italiano explica-me que num dialecto local a palavra Portugallo significa laranja. Entusiasmada peço-lhes que me escrevam no papel o nome laranja.
    Curiosamente os portugueses eram conhecidos no século XVI por terem introduzido uma variedade distinta de laranjas na europa vindas da China, uma variedade que ao contrário das nativas europeias era doce e por esse motivo também em grego laranja  é "portokali e portakal em turco, em romeno é portocala e portogallo com diferentes grafias nos vários dialectos italianos" . Mas ao ler  alguns dos textos disponíveis sobre a história da laranja sabe-se sim que era originária da Indía e conhecida pelo nome  nareng, nome que foneticamente é muito mais similar à palavra laranja que conhecemos. O que me pergunto é: será que apartir do momento que as cruzadas entraram em contacto e/ou conflito tomaram conhecimento da existência da àrvore através do norte de África? Será que de alguma forma os portugueses tiveram acesso a zonas da Ásia ou Indía que se pansavam na altura não terem sido descobertas ainda? Será que afinal esta variante foi apenas descoberta por coincidência por navegadores portugueses e por onde passaram os povos com quem mantinham relações comerciais passaram a denominar os frutos por referência à origem dos vendores? Um dia quem sabe ainda vou fazer a rota das maçãs do paraíso e tentar tirar conclusões mais exactas.