terça-feira, 19 de junho de 2012

Da deficiência

Há dias chamou-me atenção a notícia amplamente divulgada no Facebook sobre o campeonato mundial de Atletismo de Síndrome de Down. A equipa portuguesa foi a vencedora e no post o autor queixava-se que a notícia não seria divulgada nos media.O post atraíu a minha atenção não pela queixa mas pelo facto do dito autor do texto não ter fornecido mais informações sobre o nome do vencedor, biografia ou detalhes da prova.


Um outro post no facebook semanas antes atraíu também a minha atenção: desta vez por causa da reivindicação social de outro atleta português paralímpico que tinha parado de receber subsídio social do estado português sem razão aparente. A acompanhar o post o atleta diz: "Eu, David Grachat, portador de deficiência física - mal formação congénita (amputado da mão esquerda), encontro-me há mais de 1 ano e 6 meses numa luta com o Serviço Português da Segurança Social, serviço esse que me retirou os meus direitos enquanto cidadão com deficiência."Na foto o atleta pede que descubram a diferença entre a uma foto sua tirada em em 2000 e outra de 2011, fazendo as pessoas constantar que continua na mesma situação.


Mas nem sempre os deficientes são neglicenciados isto porque associacões como a CLAP (centro local de Animação e Promoção Rural em Amarante) deu apoio social durante alguns meses em 1999 e 2000  incluindo deficientes físicos e mentais, apoio que surtiu efeitos: " Desde que o meu irmão começou a ter acesso a este apoio social, evoluíu muito, nós estavamos até confiantes que seria capaz de ser totalmente autónomo" explicou Helder Peixoto, a respeito da grande evolução e progresso do irmão com 50 anos, que depois de ter sofrido um ataque de meningite na infância viria a sofrer de deficiências mentais para o resto da vida.
  Mas o caso do irmão do Hélder Peixoto é exepção porque a verdade é que quase todos os assuntos relacionados a deficientes físicos ou mentais são em Portugal um gigante tabu e muitos destes deficientes vivem nas condições mais estremas de sofrimento e de isolamento, muitas vezes encerradas pelos próprios familiares em casa, como se a sua realidade tivesse de ser encarcerada e serem para sempre confinados à sombra. Mas a questão do "vamos esconder o deficiente" começa agora num mundo globalizdo a ganhar outros contornos e muitos começam a reivindicar direitos incómodos a uma sociedade que exige a perfeição fisica e mental. Na Holanda por exemplo existe  um grupo de assistentes sociais chamado de " Masturbatie team" estas mulheres prestam serviços masturbatórios a homens e mulheres deficientes sendo que um dos temas largamente discutidos tem sido o direito ao sexo com ou sem deficiência: http://www.filamentmagazine.com/2011/09/helping-disabled-people-meet-their-emotional-and-sexual-needs//
 A mesma reinvindicação foi feita em Inglaterra onde um homem de 21 anos portador de deficiência física reinvindicou o direito de ter sexo como qualquer outro ser humano e acabou por conseguir que o estado lhe reconhecesse o direito e fosse criado um fundo que financia sex holydays (férias com sexo). O pedido haveria de ser ouvido e o estado inglês acabou mesmo por criar programas destinados aos cidadãos ingleses com deficiência para que pudessem não só ir de férias para outro país como usufruir do direito ao sexo (ver em: http://www.dailymail.co.uk/news/article-1303273/Councils-pay-disabled-visit-prostitutes-lap-dancing-clubs.html).
 Um filme polémico tem também chamado atenção de milhares de pessoas para este problema social:  "Hasta la vista", um filme de um grupo de jovens portadores de deficiências que fazem uma viagem a Espanha à procura de sexo, ver em: http://www.youtube.com/watch?v=EfrQRas7gPw 
 A pergunta que fica é: Até quando as sociedades, os estados, os governos, as pessoas vão fingir que os deficientes não existem e que todos somos perfeitos, felizes e vivemos afinal num conto de fadas?

sexta-feira, 1 de junho de 2012

Mensagem do Dia da Criança

Hoje é dia mundial da criança, por isso decidi escrever.
Não vou fazer poemas nem lançar balões para o céu mas achei que hoje era um bom dia para recordar a memória e a história de todas aquelas crianças que foram vítimas das piores atrocidades e que por serem crianças foram silenciadas.
A história mais recente é a da menina chamada Diana Farkas que foi morta pela própria mãe em Charleroi, na Bélgica cortada em pedaços e conservada dentro de um congelador durante meses. Quando a polícia encontrou o corpo e descobriram que tinha sido a própria mãe a matá-la, o psicólogo teve de fazer o seu trabalho e perguntar à mãe o motivo de tal crime hediondo. A mãe disse que vivia uma relação agressiva com o pai da criança e que temia que um dia ela Diana fosse a sofrer com a mesma violência, por isso a tinha matado, evitaria assim um sofrimento futuro para a criança. A imprensa tinha avançado anteriormente com a ideia que a mulher poderia sofrer disturbios mentais uma vez que tinha alegado antes que o pai era violento porque gritava com a criança para que esta não comesse chocolate dentro do carro.

Diana Farkas
1. Diana Farkas com 4 anos

Outros dos casos mais recentes foi sem dúvida o caso do casal inglês Mick Philpott de 55 anos e Maired de 31 que mataram 6 filhos num incêndio. O casal viria a ser identificado e  seis crianças viriam a morrer no hospital carbonizadas. O pai alegou que não aguentava mais a pressão e entre lágrimas não conseguiu esconder o horror do seu arrependimento e a estupefacção das enfermeiras que repetidamente lhe diziam em inglês: " Por favor diga que não é verdade, diga que não foram vocês que fizeram isto."
2. Mick Philpott e Maired, a esposa

Outro dos casos que li e que observei através dos media foi o julgamento do homem holandês Robert M.  acusado de  violar  80 crianças, contudo várias fontes indicam que o número de crianças violadas pode ser maior, uma vez que os indícios de violação apontam ainda para os anos 80. Foi condenado a 18 anos de prisão e durante o julgamento reagiu aos anos de punição decretado pelo tribunal atirando com água para a cara do juíz e dos jurados. Enquanto vi esta cena lembrei-me do que uma vez me disse Agustina Bessa Luís numa entrevista quando eu ainda tinha 19 anos: " As pessoas não entendem estes casos de pedofília, porque não entendem que há muito se   perdeu a inocência de tudo. Só as crianças conservam este estado de pureza e de inocência que nos nossos dias não pode ser mais encontrado em homens e mulheres adultos."
Confesso que durante algum tempo andei obcecada com a ideia de fazer um trabalho de investigação sobre crinaças desaparecidas e cheguei a fazer uma pequena colectânea de fotos e de reunir as características dos desaparecidos. Cheguei a encontrar um padrão constante em alguns dos desaparecidos no aeroporto.  Fiquei depois muito desiludida e frustrada quando percebi que estas crianças representavam também um valor notícia. Na altura disseram-me assim: " Mas quê? As novidades que tens são sobre a Maddie?" Eu disse que não e logo percebia o desalento do outro lado da voz de quem tem o poder de publicar: " Ah, então não estamos interessados. Além disso andamos todos já fartos de escrever e de falar sobre a Maddie." 
  Só a minha mãe parece ter percebido o interesse e o horror que me causam estes casos de assasínio e abuso de que são vítimas milhões de crianças em todo mundo e por isso no dia do meu aniversário ofereceu-me o livro " A Estrela de Joana" que mostra uma pequena algarvia de rosto limpo e sorriso bonito chamada Joana que foi morta pelo tio e pela mãe depois de ter descoberto acidentalmente o caso incestuoso da mãe. Jamais esquecerei as repetidas cenas da Polícia Judiciária no Algarve, aqui ali com os cães a chamarem por ela e um silêncio enorme que ecoava pelo calor e pelos campos.
                                                        
3. A pequena Joana Cipriano

  Poderia continuar a escrever e a relatar mais casos mas não me parece necessário uma vez que hoje para grande estupefacção minha descobri que já há quem se dedique a escrever no wikipédia artigos sobre casos de pedofilía e assassínio por país e por ano. Queria apenas concluir e dizer que todos os esforços que se tem feito para proteger as crianças são insuficientes e que por serem tão precisos é necessário redobrar esforços e multiplicar formas para evitar que situações como estas aconteçam.